Poema- o povo que não silencia
Quem chegou aqui primeiro?
De antemão, já vou dizendo:
não foi Adão, não!
Teoria vai, teoria vem, surgem
ideias do além…
Mas nos convém lembrar das
minorias também.
Quem diria que nessas teorias
surgiria Luzia!
Luzia, envolta numa manta, lá
de Lagoa Santa!
Luzia, dos tempos antigos
surgia,
feito memória primeira
dessa terra que já vivia.
Antes da invasão, das cercas
ou da cobiça fria,
já havia canto, rio, floresta e sabedoria.
Povos originários, guardiões
da terra e do chão,
resistindo ao fogo, ao ferro
e à imposição.
E eu diria, sem ironia:
“todo dia era dia de índio” —
e ainda deveria!
Não só um dia pra lembrar
ou pra comemorar…
mas todo dia pra respeitar,
ouvir e preservar.
Porque quem primeiro viveu
essa terra com sabedoria
não merece só homenagem —
merece justiça
todo dia.
E eu repito, sem nostalgia,
como quem aprende e anuncia:
“todo dia era dia de índio”,
ontem, hoje, em rebeldia.
Porque a terra tem memória,
e o povo tem voz que não
silencia.
(Marcos Müzel 18/4/2026)
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